Que a vida é a arte do encontro não posso negar. O fato é que passamos a nossa vida nos encontrando com uma quantidade infinita de gente. Hoje ao tentar dormir, me deparei com aquela saudade escondida que aparece apenas quando o sono não chega. Quanta gente passa pelo nosso caminho? Quantas cruzam nosso destino sem pedir permissão e vão ficando, ficando até se tornarem tão essenciais e importantes que fica impossível tira-las de nosso futuro?
Pois é...E embora haja a necessidade do encontro, o desencontro é fatal. E embora tentemos sempre seguir ao lado de quem gostamos é egoismo tentar manter tudo sempre da mesma forma. Mudar assusta e dizer tchau e encerrar conversas que nao tem mais gostinho de quero mais, machuca. Como é dolorido o desencontro, mas como é feliz o doce encontro.
Tenho tido longos encontros que deixam ainda mais dolorido os desencontros que vem sem ao menos a gente perceber. Acontece que escolhemos tanta coisa o tempo todo que vai escapando do nosso controle ter tudo sempre ali. E é preciso optar...Odeio despedidas. Mas quem é que gosta de dizer adeus ao que faz bem? Doi...Doi muito, mas acredito que doa mais saber que a gente se acostuma...E que cedo ou tarde vai ficando esquecido no fundo da nossa saudade aquilo que era fundamental antes.
Como é difícil escolher...Olhar para trás e saber que se foi feliz e mesmo assim largar mão de tudo isso por algo novo, por uma nova experiencia, por um frio na barriga que já não existia mais.
Sabe, é estranho como tudo toma um rumo que escapa de nossas mãos fazer grandes planos. Meu plano era nunca ter plano algum. Planejei isso tão bem que acabo sempre perdida entre meus desejos, minhas vontades e meus sentimentos que, nao aceitam seguir a ordem natural das coisas. Eu queria não ter que me despedir. Eu queria que fosse quase sem querer essa coisa que faz com que tudo mude tão rápido. Parece que o tempo, como sempre, brinca comigo.
Não me deixem saber que é a última vez. Que amanhã o que estava hoje aqui ao meu lado já não estará mais. Nao aceito, nao quero e não acredito em despedidas.
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Quantas coisas a gente pode encontrar dentro do olho de algumas pessoas?
Quanto sentimento cabe ali dentro?
Quantas vontades guardadas?
Quantas verdades não ditas...Eu gosto de desvendar olhares, mas gosto ainda mais de olhos que se atraem e que dizem mais do que palavras soltas. Gosto de quem me entende pelo olhar e de quem me desvenda só ao me observar.
Existem sentimentos que se acabam entre o partir e o ficar. E nos lábios? O que é que atrai tanto uma boca a encontrar a outra que se encaixe?
Bocas que dizem palavras repartidas e que beijam vontades que já não tem razão de ficarem escondidas. Lábios que soltam sorrisos de sim! De mais...Encontro de bocas que querem compartilhar segredos, sensações. Não é preciso que haja sentido, mas que todos sentidos se compreendam. Como fazer para esquecer a voz que hora ou outra entra em nossos pensamentos, nos fazendo lembrar sempre de palavras ditas que fizeram história?
Me disseram uma vez que é preciso saber quando temos que parar. E assim deixarei escapar os olhares, os beijos e os sussurros. E esse meu ciumento coração terá que aprender que não pertenço a nada e que ninguém me pertence. É que eu só sei que quero quando me lembro e eu só me lembro em momentos de desatenção em que provo para mim mesma que ainda não estou pronta para escapar...
Quanto sentimento cabe ali dentro?
Quantas vontades guardadas?
Quantas verdades não ditas...Eu gosto de desvendar olhares, mas gosto ainda mais de olhos que se atraem e que dizem mais do que palavras soltas. Gosto de quem me entende pelo olhar e de quem me desvenda só ao me observar.
Existem sentimentos que se acabam entre o partir e o ficar. E nos lábios? O que é que atrai tanto uma boca a encontrar a outra que se encaixe?
Bocas que dizem palavras repartidas e que beijam vontades que já não tem razão de ficarem escondidas. Lábios que soltam sorrisos de sim! De mais...Encontro de bocas que querem compartilhar segredos, sensações. Não é preciso que haja sentido, mas que todos sentidos se compreendam. Como fazer para esquecer a voz que hora ou outra entra em nossos pensamentos, nos fazendo lembrar sempre de palavras ditas que fizeram história?
Me disseram uma vez que é preciso saber quando temos que parar. E assim deixarei escapar os olhares, os beijos e os sussurros. E esse meu ciumento coração terá que aprender que não pertenço a nada e que ninguém me pertence. É que eu só sei que quero quando me lembro e eu só me lembro em momentos de desatenção em que provo para mim mesma que ainda não estou pronta para escapar...
Eu sou errada. Nos mínimos detalhes eu sou errada. Gosto do ritmo errado e não consigo querer o que não é complicado. Vou embora quando é para ficar e fico quando já não tem mais o que cativar. Eu poderia ser diferente, mas eu sempre volto a minha forma errada de ser. Sem planos, o que eu quero não cabe no papel. E as vezes eu sinto tanto, mas tanto por não ser igual que me perco em contradições sem sentido. Eu não sei agradar. Me anulo para que não percebam que eu nunca serei o que esperam de mim. Não dá certo porque no certo não me entendo. E sobra tanto, mas tanto silêncio que acabo escutando apenas meus pensamentos.
O que eu quero é não surpreender pelo meu modo nada correto de tentar ser correta. A minha ansiedade de sempre seguir adiante não me faz ver que eu venho esperando...e eu que sempre desisto na primeira nova forma de começar, descobri que do que eu realmente gosto eu não desisto. Não sei quebrar barreiras sem machucar quem está a minha volta. Eu posso ir longe, muito longe, mas eu só volto para aquilo que me conquista! Se não tem saudade não tem porque existir. Eu preciso tanto da distância quanto da presença para me preencher.
As vezes a gente acha que já não sente mais a perda, porque já não sente mais a mesma coisa. E de repente vem aquele pensamento que já parecia adormecido. Eu não gostava tanto assim. Sou diferente e não me aceito, porque jogam na minha cara o tempo todo que ser do jeito que eu sou não é o suficiente. Realmente, o que eu sou não satisfaz a necessidade dos outros. Eu não me encaixo, mas é tão injusto desistir de mim.
O que eu quero é não surpreender pelo meu modo nada correto de tentar ser correta. A minha ansiedade de sempre seguir adiante não me faz ver que eu venho esperando...e eu que sempre desisto na primeira nova forma de começar, descobri que do que eu realmente gosto eu não desisto. Não sei quebrar barreiras sem machucar quem está a minha volta. Eu posso ir longe, muito longe, mas eu só volto para aquilo que me conquista! Se não tem saudade não tem porque existir. Eu preciso tanto da distância quanto da presença para me preencher.
As vezes a gente acha que já não sente mais a perda, porque já não sente mais a mesma coisa. E de repente vem aquele pensamento que já parecia adormecido. Eu não gostava tanto assim. Sou diferente e não me aceito, porque jogam na minha cara o tempo todo que ser do jeito que eu sou não é o suficiente. Realmente, o que eu sou não satisfaz a necessidade dos outros. Eu não me encaixo, mas é tão injusto desistir de mim.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
E a gente vai pouco a pouco saindo. Sem se dar conta da grande farsa que é esse "até breve". Finge que amanhã tudo vai voltar a ser como sempre foi e dessa forma, não é preciso dizer adeus.
Sem que se perceba fecha-se a porta de uma grande história e começa outra, mas sempre com a esperança de que seja passageira essa vontade de mudar. Mente para si própria, com aquele pensamento que não sai da cabeça. "Eu ainda volto". Mas não volta...
Quando o amanhã finalmente chega a minha vontade de ficar foi embora. Nas minhas insonias eu não durmo, para não mudar, sem querer, de querer...
Eu só sei ser livre. Todo mundo quer ser livre, mas essa liberdade é tão assustadora...O que é que eu faço com o mundo inteiro nas minhas mãos? Não me dêem a chance de escolher...Eu decido o que é contra o que todo mundo espera que eu faça.
Quero ser presente. O passado e o futuro não me pertencem mais. E agora, no presente, eu não pertenço a nada. Não consigo sentir sem agir. A ação faz parte do meu sentimento e seria contrária a minha vontade ficar estagnada apenas sentindo. Tudo que penso, falo. Já não sou aquilo que sentia. Não sei por fim, porque essa palavra me limita e eu quero o infinito de possibilidades. O que é que me prende? Parem de prender meus gestos, minhas palavras, meu jeito desajeitado de querer o que ninguém pode ter. Aceitem apenas que não sei prender a minha vontade e ela me escapa sem que eu me de conta. O que ontem me cativava, hoje se faz lembrança que já não existe.
Não me sufuquem com a ausencia e nem com presenças. Aqui dentro cresce pouco a pouco uma história sem passado. Me dêem de presente apenas o presente. É dele que espero e é nele que me apego. Em troca te dou o momento. Sou o segundo que poe tudo a perder. Não quero me perder. Não me levem tão a sério. Premedito muitas vezes histórias e não sei escrever com mais gente. Preciso sentir, mas não posso fingir que sinto o que já não cabe em mim.
Tenho muito medo. Medo de sentir saudade. Eu não sei explicar,mas quando dei por mim estava aqui parada sem vontade alguma, jogando fora palavras que já não tem razão de serem soltas. Deixa eu me jogar? Não aguento mais as limitações que me impõem. Não dá para viver com medo e eu preciso da novidade o tempo todo. Não precisa ser novo, basta não ser sempre.
Sem que se perceba fecha-se a porta de uma grande história e começa outra, mas sempre com a esperança de que seja passageira essa vontade de mudar. Mente para si própria, com aquele pensamento que não sai da cabeça. "Eu ainda volto". Mas não volta...
Quando o amanhã finalmente chega a minha vontade de ficar foi embora. Nas minhas insonias eu não durmo, para não mudar, sem querer, de querer...
Eu só sei ser livre. Todo mundo quer ser livre, mas essa liberdade é tão assustadora...O que é que eu faço com o mundo inteiro nas minhas mãos? Não me dêem a chance de escolher...Eu decido o que é contra o que todo mundo espera que eu faça.
Quero ser presente. O passado e o futuro não me pertencem mais. E agora, no presente, eu não pertenço a nada. Não consigo sentir sem agir. A ação faz parte do meu sentimento e seria contrária a minha vontade ficar estagnada apenas sentindo. Tudo que penso, falo. Já não sou aquilo que sentia. Não sei por fim, porque essa palavra me limita e eu quero o infinito de possibilidades. O que é que me prende? Parem de prender meus gestos, minhas palavras, meu jeito desajeitado de querer o que ninguém pode ter. Aceitem apenas que não sei prender a minha vontade e ela me escapa sem que eu me de conta. O que ontem me cativava, hoje se faz lembrança que já não existe.
Não me sufuquem com a ausencia e nem com presenças. Aqui dentro cresce pouco a pouco uma história sem passado. Me dêem de presente apenas o presente. É dele que espero e é nele que me apego. Em troca te dou o momento. Sou o segundo que poe tudo a perder. Não quero me perder. Não me levem tão a sério. Premedito muitas vezes histórias e não sei escrever com mais gente. Preciso sentir, mas não posso fingir que sinto o que já não cabe em mim.
Tenho muito medo. Medo de sentir saudade. Eu não sei explicar,mas quando dei por mim estava aqui parada sem vontade alguma, jogando fora palavras que já não tem razão de serem soltas. Deixa eu me jogar? Não aguento mais as limitações que me impõem. Não dá para viver com medo e eu preciso da novidade o tempo todo. Não precisa ser novo, basta não ser sempre.
domingo, 22 de julho de 2012
Ela recebeu a notícia de sua partida como um soco na boca do estômago. Sentiu seus olhos mareados e sorriu com delicadeza como haviam lhe ensinado que tinha que ser feito quando se tem vontade de chorar.
Como quem sente que só tem aquele último instante o abraçou para sentir pela última vez que poderia mudar o rumo daquela história. Não era fácil a despedida e jamais aprendera como se faz para amenizar a saudade que já se instalava em seu peito.
Olhou de minuto em minuto o relógio que parecia brincar com sua angustia e que acelerava de minuto em minuto. Era uma espécie de tortura contida que só fazia antencipar a dor que já sentia e que não deixava transparecer naquele sorriso de faz de conta.
Quando finalmente chegou o momento do adeus, acompanhou ele até seu destino final e pela última vez olhou para aqueles olhos repletos de segredos e de carinhos. Quando seus olhos se encontraram sentiu o frio da separação dominar seu corpo e engoliu com dificuldade as palavras que estavam cheia de lembranças. Deu um beijo silencioso mostrando que era forte e que não se abatia com sua partida.
Foi, então, na hora de desvencilhar suas mãos das dele que entendeu o tamanho de sua tristeza. No momento em que deixaram de se tocar é que percebeu que já não faria mais parte de sua história. Virou bruscamente de costas para deixar para trás tudo aquilo que ele representava. A princípio andou devagar com a ilusão de que assim ele a alcançaria caso mudasse de idéia, mas a medida que caminhava ele se destanciava e ela, querendo ser forte pelos dois, não olhou para trás. Ele a observava como sempre fizera, silencioso e atento, sabendo exatamente o que cada gesto seu representava. Não era preciso falar e ele sabia disso.
Quando ela finalmente percebeu que ele não a chamaria para, quem sabe assim, prolongar a despedida inevitável, começou a correr, corria pela rua vazia e a medida em que corria ia se sentindo livre de tudo que lhe prendia, como que em cada respirada sofrida esvaziasse um pouco da sua caixa de recordações, mas acredito que acima de tudo corria para escapar da saudade que já começava a sentir.
Fez de tudo para não pensar naqueles olhos que entendiam sua dor contida e silênciosa e naquela pessoa que já não poderia querer tão bem. Quanto menos pensava, mais sentia. Se olhou no espelho e viu refletida a imagem de uma menina desamparada e por pena de si própria chorou com lágrimas grossas uma dor que não sabia que poderia sentir. Chorou por ele, por ela, pelo destino e por toda a saudade que já sentira e guardara.
Como quem sente que só tem aquele último instante o abraçou para sentir pela última vez que poderia mudar o rumo daquela história. Não era fácil a despedida e jamais aprendera como se faz para amenizar a saudade que já se instalava em seu peito.
Olhou de minuto em minuto o relógio que parecia brincar com sua angustia e que acelerava de minuto em minuto. Era uma espécie de tortura contida que só fazia antencipar a dor que já sentia e que não deixava transparecer naquele sorriso de faz de conta.
Quando finalmente chegou o momento do adeus, acompanhou ele até seu destino final e pela última vez olhou para aqueles olhos repletos de segredos e de carinhos. Quando seus olhos se encontraram sentiu o frio da separação dominar seu corpo e engoliu com dificuldade as palavras que estavam cheia de lembranças. Deu um beijo silencioso mostrando que era forte e que não se abatia com sua partida.
Foi, então, na hora de desvencilhar suas mãos das dele que entendeu o tamanho de sua tristeza. No momento em que deixaram de se tocar é que percebeu que já não faria mais parte de sua história. Virou bruscamente de costas para deixar para trás tudo aquilo que ele representava. A princípio andou devagar com a ilusão de que assim ele a alcançaria caso mudasse de idéia, mas a medida que caminhava ele se destanciava e ela, querendo ser forte pelos dois, não olhou para trás. Ele a observava como sempre fizera, silencioso e atento, sabendo exatamente o que cada gesto seu representava. Não era preciso falar e ele sabia disso.
Quando ela finalmente percebeu que ele não a chamaria para, quem sabe assim, prolongar a despedida inevitável, começou a correr, corria pela rua vazia e a medida em que corria ia se sentindo livre de tudo que lhe prendia, como que em cada respirada sofrida esvaziasse um pouco da sua caixa de recordações, mas acredito que acima de tudo corria para escapar da saudade que já começava a sentir.
Fez de tudo para não pensar naqueles olhos que entendiam sua dor contida e silênciosa e naquela pessoa que já não poderia querer tão bem. Quanto menos pensava, mais sentia. Se olhou no espelho e viu refletida a imagem de uma menina desamparada e por pena de si própria chorou com lágrimas grossas uma dor que não sabia que poderia sentir. Chorou por ele, por ela, pelo destino e por toda a saudade que já sentira e guardara.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Meu aluno me disse outro dia; "professora, essa sua idéia é muito clichê". Me peguei respondendo sem pretenção nenhuma. "Eu gosto de clichê". Tem tanta gente querendo ser original o tempo todo que me cansa, eu me canso de gente. Tenho fases que preciso ser só. Gosto daquele silêncio que ninguem invade. É difícil ser só, as pessoas não entendem, mas também não quero ser compreendida. Cansa explicar tudo. O fato é que conto os minutos para estar sozinha. Quando me vejo assim, repleta de vazio, chego até a me perder em tantas vontades. Por onde começar? Fico um bom tempo sem fazer nada só para sentir mais um pouco a sensação de solidão. Falo alto comigo mesma só para ter certeza de que não tem ninguem para me responder. Quando me sinto sufocada preciso fugir. Eu que estou acostumada a gritos, risadas e confusão fico pensando, como a palavra me invade. Como eu queria, as vezes, que o mundo fosse mudo.
Mas, voltando ao clichê, o que eu posso fazer se ainda não me cansei do que já é comum. Meu amigo me disse "em que século você vive?". A verdade é que ficam o tempo todo me dizendo muita coisa. Como eu devo agir, falar e gostar. Minha vontade é sair de tudo isso. Não aguento muito tempo gente falando. Gosto que me escutem, gosto de escutar. Mas é na minha solidão que me encontro. Gosto de sentar e ouvir minha avó contar suas histórias. São tão clichê que me dá nostalgia. Realmente meu amigo tem razão. Não estou na época certa. Mas paciencia, é isso que me pedem o tempo todo e como o que me pedem não sei cumprir fico impaciente e jogo tudo para o alto. Sou boa nisso, sou boa em começos, mas não sei dar continuidade em nada. Eu não quero mais e acabo pedindo por muito mais...
Não é esse, não é aquele. Não é nada disso e nem deveria ser. O que posso fazer se não gosto de água com açúcar?
Mas, voltando ao clichê, o que eu posso fazer se ainda não me cansei do que já é comum. Meu amigo me disse "em que século você vive?". A verdade é que ficam o tempo todo me dizendo muita coisa. Como eu devo agir, falar e gostar. Minha vontade é sair de tudo isso. Não aguento muito tempo gente falando. Gosto que me escutem, gosto de escutar. Mas é na minha solidão que me encontro. Gosto de sentar e ouvir minha avó contar suas histórias. São tão clichê que me dá nostalgia. Realmente meu amigo tem razão. Não estou na época certa. Mas paciencia, é isso que me pedem o tempo todo e como o que me pedem não sei cumprir fico impaciente e jogo tudo para o alto. Sou boa nisso, sou boa em começos, mas não sei dar continuidade em nada. Eu não quero mais e acabo pedindo por muito mais...
Não é esse, não é aquele. Não é nada disso e nem deveria ser. O que posso fazer se não gosto de água com açúcar?
segunda-feira, 9 de julho de 2012
O dia que não terminou
É um dia frio e nublado, triste como são os de outono. O vento parece cortar o rosto e as ruas estão vazias, não há gente, não há sentimento, só existe o silêncio. Caminho solitária observando o vazio.
Do outro lado da rua ainda há movimento, mas não vida. Um homem caído no chão, jogado com um revólver apontado para sua cabeça. O policial pisa em seu corpo tremulo mostrando quem é que manda por aqui.
Imagino como deve ser o mundo visto por outro plano. Penso no que o homem deitado no chão está pensando naquele momento. Ele é também uma vítima desse mundo, da injustiça que se move rapidamente como um vendaval e da desigualdade que faz desse mundo um lugar tão brutal. Não consigo ter raiva, mas ter pena não resolve.
Fico parada, inerte, observando uma cena que não parece real e que não faz parte do meu mundo. Sou um ser alienado que não entende. O camburão chega e o homem é jogado no carro. O que é que a gente faz, quando um grito rouco tem vontade de sair e dizer tanta coisa? Meus pensamentos vão longe, como de costume e começo a pensar na vida desse corpo atirado como lixo no camburão. Como será sua vida? Será que tem filhos? Será que roubou para alimenta-los? Imagino a vida de quem tem pouco e ve tantos tendo muito. Não é certo, não é justo e mesmo assim continuo parada apenas observando.
Começa a chover. Corro para minha casa. Lá o tempo parece não passar e o mundo se torna muito distante. Meu pai lê seu jornal, minha mãe assiste televisão. A realidade some. Lá fora o homem está a caminho da delegacia e alguém em algum lugar espera por ele. A chuva, cada vez mais forte, não deixa ninguém enxergar...
Do outro lado da rua ainda há movimento, mas não vida. Um homem caído no chão, jogado com um revólver apontado para sua cabeça. O policial pisa em seu corpo tremulo mostrando quem é que manda por aqui.
Imagino como deve ser o mundo visto por outro plano. Penso no que o homem deitado no chão está pensando naquele momento. Ele é também uma vítima desse mundo, da injustiça que se move rapidamente como um vendaval e da desigualdade que faz desse mundo um lugar tão brutal. Não consigo ter raiva, mas ter pena não resolve.
Fico parada, inerte, observando uma cena que não parece real e que não faz parte do meu mundo. Sou um ser alienado que não entende. O camburão chega e o homem é jogado no carro. O que é que a gente faz, quando um grito rouco tem vontade de sair e dizer tanta coisa? Meus pensamentos vão longe, como de costume e começo a pensar na vida desse corpo atirado como lixo no camburão. Como será sua vida? Será que tem filhos? Será que roubou para alimenta-los? Imagino a vida de quem tem pouco e ve tantos tendo muito. Não é certo, não é justo e mesmo assim continuo parada apenas observando.
Começa a chover. Corro para minha casa. Lá o tempo parece não passar e o mundo se torna muito distante. Meu pai lê seu jornal, minha mãe assiste televisão. A realidade some. Lá fora o homem está a caminho da delegacia e alguém em algum lugar espera por ele. A chuva, cada vez mais forte, não deixa ninguém enxergar...
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