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segunda-feira, 22 de maio de 2017

A estrela e a menina



Uma estrela riscou o quadro negro do Universo. A menina dos pedidos soltos em forma de canção correu em direção ao horizonte. Para onde aquele brilho ia com tanta pressa? Que dança era aquela que acertara em cheio o ritmo de suas palavras adocicadas?
Na rotina que acalmava a incerteza de não saber quem era, esperava, beira rio, a noite chegar.
E a cena se repetia feito poesia; Ela e o céu dançando o rito de desejos trazidos pelo vento.

Invisível

Era invisível. Pelos corredores se fazia desaparecer. Parecia parte da mobília. Vez em quando algum olhar cruzava com os olhos dela e ela, estremecia. Seus olhos eram de perdão como quem pede desculpas por existir.
Alguns esbarravam em seu corpo recolhido pelos cantos da casa. Escassos casos em que conseguia sentir o calor do outro. Sua voz abafada e rouca cantava a solidão de quem vive a servir.

Passariam anos sem que ninguém a nota-se. Um dia quando seu corpo deu lugar a sua sombra, pode-se escutar alguém reclamar: “Quem trocou os móveis de lugar?”.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Apaixonar-se

Apaixonar-se. Se enxergar no outro. Ver no outro o que há dentro da gente e que se espelha no ser apaixonante. O que admiramos no outro não é o que nos falta, mas aquilo que temos dentro de nós. Precisamos que o espelho do amor reflita em nós, para, quem sabe, perceber que o que amamos no outro é a capacidade de nos fazer entender aquilo que somos.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A menina e o mar

A menina sentou na pedra, como fazia todas as vezes que precisava parar o tempo e se encontrar. Na bagunça de personagens que ela era dia pós dia, era natural que se perdesse de vez enquando.
A cada parada de tempo que se permitia, olhava de cima da pedra o mar avançar.
Da fúria inconstante de suas ondas à paz de quem sabe chegar e partir.
O mar cantava em seus pensamentos a música da saudade daqueles que esperam.
Do ponto alto de suas absolutas incertezas a menina contempla o sussurro do vento que embaralha seus pensamentos e muda o rumo da maré. Não é fácil ser mar, mas difícil mesmo é não saber amar.

domingo, 10 de maio de 2015

O silêncio da noite é minha música favorita. O frio da paisagem do final de um dia de outono traz paz para meus pensamentos que dançam de acordo com as batidas do meu coração.
O mar amanhecendo é o melhor retrato que meus olhos já tiraram.
O cheiro de bom dia de quem me quer bem me faz doce.
Se me perguntarem no que estou pensando quando sorrio sem motivo, não saberia responder, Da minha boca saem palavras erradas e nas minhas atitudes, vejo tudo que não sou moldando o que acham que sou.
Um dia me disseram que em nossa cabeça existem caixinhas de pensamentos aleatórios. Quando uma se fecha a outra se abre, e assim, a gente nunca para de pensar...Sou bagunça e as minhas caixinhas se abrem todas juntas, se embaralham, transbordam e não se fecham. Criam asas e voam para longe e eu me encontro sempre perdida entre o que penso e o que sou. Queria poder dizer o que penso, mas sem precisar explicar a velocidade com que o que sinto corre dentro de mim.
Ouça meus olhos. Leia minha pele. Escute minha respiração.
Entre tantas coisas artificiais deve, ao menos existur verdade na leitura de um sorriso.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Quando o fim aparece

Quando o amor acontece nunca se imagina que um dia também ele desaparece. Seria estranho pensar no começo pelo fim.
Talvez o ponto final não fosse tão triste se não houvesse o apego por tudo aquilo que se imaginou que poderiam ser e não foram. Difícil aceitar que para cada um “eu te amo sincero” existe um “eu não te amo mais” tão sincero quanto. Seria a pior das traições deixar que o infinito que já não faz bem para aquele que mais queremos bem se perpetue sem vontade.
Para se esquecer alguém o tempo é o melhor remédio.  A  verdade é que o tempo, aquele mesmo que matou sua relação também pode ser o responsável pela salvação de suas noites deitada sofrendo pensando “Será que por um instante de seu dia, você ainda pensa em mim?” Se a resposta para a sua filosofada noturna fosse sim, você certamente receberia notícias dele, mas se você ainda está lendo esse texto é porque a resposta é não. Não, ele não pensa mais em você.
Viva o luto do fim. Ele existe e deve ser vivido, com direito a músicas que embalaram seu romance e a releituras de cartas de amor. Após o triste dia do adeus chegou a hora de limpar a casa para que a saudade não vire assombração. Não é necessário atirar pela janela seu passado e sua história, mas guardá-lo aonde a saudade adormeça e não machuque é uma boa opção.

Não fique em casa esperando que as pessoas percebam que você precisa de companhia, certamente você deve pensar que ainda precisa viver o luto, quando pensar isso, já é a hora de você começar a sair de casa e ver gente.  Procure pessoas que encham seu tempo de novidades e de novas expectativas. Viajar, cortar o cabelo, começar um curso novo, são algumas das muitas  formas de você não trair a sua essência; viver.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Tenho uma regra sobre o primeiro encontro. Ele não passa do primeiro. Nada contra os encontros clichês em bares, cinemas e restaurantes, mas para que exista o segundo encontro é necessário que eu não perceba que passei pela primeira etapa de desvendar a intimidade alheia. Tenho preguiça de me apresentar e aquele silêncio constrangedor de duas pessoas procurando um tema para debater me deixa sem paciência. O momento que antecede o beijo é ainda mais difícil. Situação chata em que o cara resgata sua máxima coragem e que em casos extremos pede sua autorização para beija-la.
Eu não deveria me explicar, mas sinto a necessidade de compartilhar da minha fobia de encontros.
A noite pode até ser divertida, mas quando volto a minha zona de conforto, me esquece, dificilmente voltarei a batalha das mão dadas sem intimidade, do carinho sem afeto e do beijo sem frio na barriga.
Minha forma de ser é peculiar. Não nego, mas acredito em encontros sem serem marcados. Eles funcionam comigo e meu medo do outro se apaga por completo quando isso acontece.
Os moldes me assustam. Peço desculpas por essa minha regra tão infantil, mas sou tão confusa dentro de mim que acabo me perdendo no "vamos nos ver de novo." Quando essa frase chega eu já estou distante pensando na nova regra que me distanciará da intimidade e de compromissos que não consigo anotar na minha agenda.

Porta aberta. Ele irá deixa-la novamente.
Olhos fechados. O que você quer de mim?
Olhos nos olhos. Você pode nos ver? Acredito que não...
Roupas deixadas no chão. Agora você pode ir...
Calma! Temos todo o tempo do mundo.
Então ela pede o tempo...
É preciso a necessidade da liberdade respeitada. Viver um grande amor centenas de vezes e se descobrir apaixonada pela mesma pessoa. Palavras que se cumprem. Beijos novos, beijos calados. A cumplicidade do mesmo desejo.
Pássaro livre, de voos longos, tendo a certeza de um amor que ultrapassa tempos e tempestades.
Companhia de noites de silêncio, de dias de separações. De momentos de encontros e eterna lealdade.
Contrato invisível de duas pessoas que acima de tudo acreditam em um amor sem nome.
Raízes longas, folhas livres e frutos raros.
Foi tudo o que ela disse em pensamento antes de fechar a porta que a tempos estava entre aberta.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Ele chegou com todo o tempo que prometeu lhe dar. Deu seu relógio, mas a sufocou de lembranças e de beijos de espera. O tempo vencido envenenou seu querer e a fez perder o apetite de viver o que já era apenas passado.
Então veio outro. Trazendo em seus braços espectativas, presenteando a com um futuro que não lhe servia. Derramando beijos ansiosos e escrevendo histórias mornas,  nele ela apenas encontrou vontade.
O terceiro entrou em sua casa, sem pedir licença, com olhos de intensidade. Descontrolando sua solidão, invadindo suas confusões. Trouxe beijos novos, risadas e sorrisos. Mas vasculhou gavetas passadas, rotulou sentimentos. Enganou vontades. Sem carinho. A encontrou tão dona de sua solidão e a deixou apenas sozinha.
Outros vieram, tentando encontrar o mapa secreto de sentimentos tão escondidos dentro dela. Redescobrindo paixões, inovando sensações...mas neles ela só enxergou o vazio.
Então veio ele, com a calma de quem entende que o tempo da espera acabou. Respirou cada sensação de encontro e abriu a porta de caminhos que fariam da doce espera o desesperado reencontro. A encontrou de malas prontas e jogou fora com carinho uma bagagem que nunca lhe serviria. A deixou tão distraida que antes que ela dissesse não, invadiu seu coração.



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Gaiola Aberta

Palavras repetidas que nunca mais foram ditas. Certezas que escaparam com o tempo. Fotos em que não consigo me encontrar.
Ando me traindo. Sendo aquilo que me nego a ser. Estou te traindo, me perdendo daquilo que sempre fomos. Procurando um título para aquilo que sempre caminhou sem nome, me descubro não tendo mais asas e te expulsando da minha história.
A realidade é que na bagunça dos meus caminhos eu não acredito mais na nossa liberdade nos prendendo. Deixo a porta aberta para se quiser voltar, o problema é que o caminho mudou e eu já não encontro nenhum lugar para pousar.


sábado, 9 de agosto de 2014

Quando a foto passa a ser apenas uma história que já não é mais relida. O que fazer com todas as certezas que agora estão guardadas na gaveta?
Muitos anos se passaram desde a primeira noite de sorriso sem motivo.
Se o passado bate incessantemente em sua porta é hora de trocar a fechadura e fechar a casa das memórias.
Ela pegou o que guardou do abraço apertado, do beijo calado e se perguntou se todos os tempos em que o tempo parou para eles continuarem por um novo caminho, não era na verdade o mesmo antigo modo deles caminharem sempre distantes um do outro.
Muitos anos passaram, muitos relógios quebraram e ela ainda lembraria da rua de promessas, das palavras desmedidas, do final feliz e da música trazendo ausência.
Atrás da porta deixou em segredo a chave de todas as suas chances desperdiçadas.
Se você for embora...
Se você voltar...
Se o meu tempo resolver parar de brincar...
Ela vai mentir. Vai dizer que desta vez já não precisa mais.
Irá perguntar se isso realmente importa. E a cada novo ato vai fechar as cortinas e esperar que aplaudam o final que ela impõe para a platéia cansada do mesmo ato repetido incansavelmente.
A cada trovão e tempestade feita em tempo seco, ela irá se culpar e se desculpar.
Quando o palco estiver vazio, vai dançar a solidão e brindar com suas lembranças o que poderiam ter sido e não foram.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Na casa da minha avó o quintal era grande. Os almoços de domingo terminavam com discussões fervorosas. Não tinha hora para dormir e muito menos para acordar. As brincadeiras duravam dias e o fim de semana tinha gosto de miojo e cheiro de bala de açúcar.
Os personagens dessa casa que hoje já não existe, eram muitos. Na mesa redonda da sala de jantar sempre tinha espaço para mais um e a escada vasada era o camarote para as crianças participarem das conversas dos adultos. Os protagonistas desse conto de infância eram quatro. Nós quatro. Primos e irmãos que dividiam segredos, histórias, fantasias, brincadeiras.
Hoje, sentados na mesma mesa redonda recordamos o que fomos. Não se fala do que somos. Cada um de nós guardou um pedaço de uma colcha de retalhos que foi a nossa infância. Minha prima criadora, meu primo só sorriso, meu irmão cuidados, eu sonhos. Éramos a mistura de uma família unida e dividida. Contraditória. Somos o resultado de finais de semana e férias juntos. São a minha história. A causa da difícil missão que foi crescer.
Sou a caçula. A última a saber que papai noel não existia. A primeira a seguir os três com total confiança. A herdeira de brinquedos e brincadeiras. A última a fechar a porta da nossa infância. Quando minha prima cresceu e disse que já não tinha idade para brincar, chorei. Choro com raiva da desilusão. E a promessa de que nunca cresceríamos? Ilusão. Das sopas feitas de plantas do jardim, dos filmes, jogos, esconderijos, gritos, guerras, aventuras, restaram quatro adultos totalmente diferentes. Seguimos caminhos opostos. Vivemos longe um do outro. Não existe mais almoço de domingo e os encontros duram três horas.
Quando eles se despediram da infância, um de cada vez, fui guardando comigo a promessa que eles não cumpriram. Não cresceria. Brinquei sozinha, tentando lembrar das histórias que me foram contadas e na minha ingenuidade de criança não percebi que o tempo passou e que eu também não pude cumprir a promessa.
Meu primo, dono de olhos que tem sorriso próprio, casou. No altar, lá estavam os quatro novamente. Dividindo nossas histórias mais uma vez. Minha família. Só a gente sabe a dor e a delícia de carregar o mesmo sobrenome. Somos o elo com o passado, os responsáveis por novos almoços de domingo e a certeza que a história de nossa família ainda vai longe. Meu amor dividido em três pessoas que formam um mosaíco cheio de momentos inesquecíveis.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Não sei o que é linha de impedimento, mas sei o que são as linhas de expressão que se formam no rosto de um torcedor ao soltar o grito de gol.
Sou argentina. Em meu sangue correm as águas do Rio de La Plata em ritmo de tango. As sementes de minhas raízes foram plantadas em Boedo, bairro de tango, tradição, de senhores e senhoras sentados na porta de suas casas no final da tarde para uma conversa descompromissada tomando “unos mates”.  Bairro com cheiro de lembranças, de casas simples e da paixão por San Lorenzo de Almagro. Meu time, time da minha família.
Foi nesse bairro que carrega tão claramente a leveza e o peso de ser portenho que vivi um dos melhores anos de minha vida. Foi em uma casinha Amarela na Rua Estados Unidos que descobri, enfim o peso da palavra família.  Éramos doze meninas vindas de diferentes lugares, com sonhos ainda escritos no papel e vontade de devorar o mundo. Nesse antigo casarão transformado em republica que encontrei onze irmãs. Elas merecem um capitulo a parte em minha vida, pois o que vivi ao lado delas ainda não sei colocar em palavras, mesmo tendo se passado tanto tempo.

Meu avô nasceu em Boedo e o escudo do San Lorenzo de Almagro é o brasão da minha família. Não apenas da minha, mas de tantas outras que vejo nos estádios cantando juntas e se abraçando com um calor inexplicável a cada gol a cada vitória ou a cada derrota. De futebol eu realmente não entendo, mas de tradição sim. E está no sangue de “los cuervos” a herança deixada de pai para filho. Se olharem com atenção para essa torcida azul e vermelha  encontrará no meio de tantos outros fanáticos o presidente “Del ciclon”. Ele está ali no meio da massa, torcendo e gritando. Ele sai junto com a torcida e abraça cada um dos tantos cuervos com a ternura de  irmãos distantes que tem algo em comum. A paixão pela tradição, pela família, pelo futebol raça, pelo bairro de Boedo. A paixão por San Lorenzo de Almagro.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Fechar as portas das minhas antigas vontades e reconhecer que não existe volta...É simples. Não adianta mais ter saudade. Mas há uma porta, que eu esqueço de trancar e que se abre toda vez que nas minhas incertezas eu resolvo parar...
Quem é que vai me amar da forma que eu sei receber amor?
Quem vai escutar meus pesadelos? Quem vai construir a plenitude de uma história que não tinha nada para se tornar tão única? Quem vai me olhar do jeito certo e entender que não sei falar sobre o que sinto? Quem vai cumprir e lembrar de tudo que foi dito no início da paixão? Quem vai ler nas minhas entrelinhas meus medos?
Olhe para nós...O que restou? Saudade? Magoa? Ou simplesmente nada?
Estranho é pensar que no fim ou no começo de cada uma das minhas vontades...lá está aquele que nunca deixou de ser o dono do mistério dos meus tempos desmedidos.
Do jeito calado e manso vem rir das minhas histórias infantis e dizer em silêncio que nunca ninguém conseguirá entender meu jeito de gostar. Com sorriso quieto me olha e me diz que nunca darei certo com ninguém porque é só com ele que a nossa forma errada funciona.
Chega quando eu menos espero e vai embora, como vento. Sem me deixar espectativas de um recomeço, mas com a certeza de que meus términos são o jeito do destino dizer que ainda não é a hora. E nessa meia hora de encontros e desencontros ele muda meu sorriso e me faz rever meus planos de passar a vida procurando o que eu já encontrei faz muito tempo.
Os outros? Me dizem adeus e não olham para trás e no recomeço de meus caminhos ele vem, pega na minha mão e diz que o tempo esperou o tempo certo para a gente se amar. Me ajuda a fechar as lacunas das minhas histórias erradas e vai embora me deixando perguntas presas na boca. Quando meu caminho vai cruzar novamente com o seu? Ou quando finalmente você não precisará mais aparecer para me mostrar que eu erro nas minhas histórias?
Olhe só para mim...O que restou de todas as vezes que eu disse que eu já não sentia nada.
E enquanto eu visito os lugares que ninguém me levou ele carrega a bagagem da minha ausência e o peso  de uma história interrompida pela necessidade de entender que meu caminho é ligado ao dele.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Olhe bem! Há um rosto conhecido em uma foto que já não ocupa o porta retrato principal da casa.
Preste atenção...existe alguém que ainda aparece em seus sonhos, mas cuidado ao acordar com a triste notícia de que era apenas isso, um sonho. O estranho é sonho ter sabor e cheiro. 
Sobre o tempo...é acho que preciso dele. 
Olha a foto..."Ah me espera, a gente já vai se encontrar de novo. Que saudade." 
Dança tempo. Por favor, entenda se eu te pedir para a gente dançar em ritmos opostos. A nossa música tem um compasso só nosso, mas quem sabe exista outro par e um novo jeito de amar. 
A luz fica acesa para eu não ter pesadelos e a porta fica aberta para que se possa voltar.
Eu esperei tanto tempo por respostas e descobri que ainda há muito para esperar...então eu resolvi desprezar o tempo.  Existe um segundo em que histórias se cruzam e uma eternidade em que se tenta voltar aonde tudo começou.
Será que eu vou sentir saudade?
A minha resposta é sempre sim.



domingo, 26 de janeiro de 2014

Sempre quando começo alguma discussão sobre meus ideias escuto. "Isso não vai resolver". "É assim que é, não há nada que possa ser feito". Meu primeiro pensamento quando escuto frases que certamente me acomodariam é de que a morte não me encontre vazia, sem ter feito o suficiente. 
Me perguntam o que eu mudaria nesse mundo se pudesse. Pois é, aonde começar? Nessa bagunça que é a nossa vida aonde encontrar a ponta do nó que nos aliena?
Vivo em uma bolha, tive educação, viagens de férias, brinquedos de Natal. Realmente, não entendo da pobreza e do preconceito que muitos presenciam todos os dias. Mas não sou indiferente à inocência de toda essa gente que é esmagada por uma rotina de alienação e de frustações. Mesmo porque, me incluo a massa e já levei muita porrada da hipocrisia. 
Escuto meus amigos que vivem uma realidade totalmente diferente da minha. Esses me dizem "é lindo tudo o que você diz, mas nós queremos a solução, não os ideais." Para esses, peço desculpas, porque é fato, não tenho a solução para esse mundo cruel. Já os meus amigos que vivem na mesma bolha que eu, escuto que meus ideias não importam. Sim, talvez não importe a idéia de uma simples pessoa, que não passou pelo sofrimento, pela pobreza e que depois das dez da noite não sai sozinha na rua porque esta é perigosa, cheia de marginais.
Eu só peço para não ser indiferente a nossa história. E que não seja fácil esquecer aquilo que muitas vezes não nos faz dormir. Porque por mais que eu viva em um mundo de faz de contas, está cada vez mais difícil não esfregarem na minha cara que está tudo errado. E minha alma, que quer ser livre, não consegue descansar sabendo que existe um grito preso em minha garganta. Fui ensinada a obedecer e não a contestar. Mas como o ensino é todo errado...contesto. Por que?
Se tivesse  resposta não estaria escrevendo esse texto mostrando minhas frustações de estar perdida em ideais que ninguém acredita. Enquanto não sei o que fazer tento manter vivo em meu pensamento essa pergunta. Como fazer o futuro dos outros não ser indiferente?
Que o que eu vejo na televisão não me deixe acomodada, mas que me de coragem de trilhar um caminho diferente e de descobrir em outras realidades, uma que seja igual para todos.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

"Olhe dentro dos meus olhos. A criança que existia em mim morreu."
Não, nada morre assim tão fácil de dentro da gente. Seja um sonho, um amor, uma idéia, uma vida...
Me olho no espelho. "Acorda sonho meu!" "Acorda inocencia minha, que acreditava em príncipes encandados."
Quando minha amiga, a minha companheira de ideologias me mandou uma mensagem dizendo que já não existia dentro dela nada dos ideais que um dia a gente sonhou lutar, entendi de onde vem a minha angustia. O medo de que morra dentro de mim o meu mundo de faz de contas, que me faz acreditar que ainda posso mudar algo nesse mundo. Tenho medo de esquecer tudo que vivenciei e tudo que meu coração guardou de todas as histórias que escutei e de toda a gente que  de dentro dos olhos vi uma criança habitar.
Aquele homem mostrando com orgulho e humildade a sua pequena casa em uma ilha isolada no meio de um império devastado, aquele senhor puxando com resignação a cadeira para que eu me sentasse em um mundo onde ele só via de fora. Aquele menino que me mostrou sem perceber que o que eu mais queria era o conforto de seus braços, ou aquela senhora que passou a mão em meu rosto e em seus olhos vi refletida uma vida que se acabava.
Não, não pode ser que a memória falhe e eu esqueça do que meu corpo guardou com tanto cuidado. É cruel demais que os "nãos" que a vida me colocou apaguem a minha sede de viver e experimentar mais e mais das sensações que esses encontros me causaram.


Tudo isso é um mistério para mim. Meus pensamentos vão longe e meu corpo não acompanha a distância que quero percorrer. Ando doente, com sintômas que não sei diagnosticar.
Preciso de mais espaço. O que a gente faz da liberdade que a gente tanto busca? Viver dessa ambiguidade; entre ser o que quero realmente ser e o quero que achem que sou, ainda vai me levar a loucura.
Tenho necessidade de voar, mas sinto que estou caindo nas armadilhas que eu mesma criei.
Deixe-me sintir o batuque do coração fora do ritmo, o frio na barriga e o nó na garganta que me mostram que estou viva.
Ainda não entendo o poder de algumas palavras e continuo em busca das palavras ainda não ditas.
Sou um número, de fora sou exata, da forma como querem me ver e me definir. Mas assim, sou exatamente nada. Será que eu quero mais do que eu realmente preciso? Quando você está sozinho olhando o mar em que você pensa?
Descrevo os sintomas que sinto. Tenho sede de liberdade, fome de saudade e angustia, muita angustia. Durmo pouco, falo muito e discordo de tudo e de todos porque não sei com o que concordar.
Acordo e vejo o mundo que tenho para descobrir, mas ao mesmo tempo vejo o mundo que quero encobrir e fingir que não vejo. Será que estou tão cega quanto os outros que passam ao meu lado? Será que sou tão transparente como aquelas pessoas invisíveis que vivem ao meu redor?
Eu só quero a liberdade de conduzir minhas próprias escolhas. Quero ser livre a ponto de não precisar prender mais ninguém. Conseguir ir embora e mesmo assim permanecer, talvez fosse a forma de me libertar. Quem sabe? Enquanto não sei diagnosticar o que meu coração sente, vou procurando no toque de corpos que ainda vivem as sensações que perdi.

sábado, 27 de julho de 2013

Sintomas efêmeros

Ela foi ao doutor para que lhe examinasse. A tempos presenciava sintomas estranhos do qual não conseguia se livrar.
O médico então, com seus óculos equilibrados na ponta do nariz, seu bloquinho de receitas medicas e seu cabelo já cinza, à escutou sem ao menos piscar.
Ela que à tempos sofria de frios constantes na boca do estômago. Que se sentia muitas vezes com a cabeça em outro mundo, começou a lhe indicar todos os sintomas de sua frágil doença. Não era fácil para ela apontar os danos sem reparo que sofria. 
Era como se o mundo já não tivesse cor exata, uma vez que a cada momento via novas cores em seus dias, que antes não conhecia. 
Seu sono se tornará leve e cada minuto transcorrido pareciam horas inacabadas. Já não sentia vontade de comer e sua fome era saciada pelo gosto que guardava nos lábios. 
Sentia que lhe faltava o ar muitas vezes e de súbito tinha a impressão de que uma mão de ferro esmagava seu coração deixando-o tão pequeno quanto uma avelã.
Era como estar em uma montanha russa de sensações estranhas e obscuras que hora lhe agradava e muito e hora a sufocava.  Um sorriso indevido fazia esboço em seu rosto durante todo dia e suas bochechas rosadas já não davam conta de agüentar sua boca avermelhada sempre entre aberta. 
Pediu para que o doutor lhe mostrasse os sintomas da felicidade, pois, pensava ela, que se isso fosse a felicidade talvez ela não estivesse pronta para carregar tanto sentir.
E aos poucos descrevendo tudo que sentira nos últimos tempos e vendo que o médico não esboçava nenhuma reação, foi ficando calada. Procurou no mais fundo de seu ser todos os sintomas que sentira nos últimos tempos e pensativa ficou quando já não sentia que cultivava as borboletas em seu estômago. 
Encarou a dura realidade de seu sentir esgotado e com apatia, lembrando-se do tonta que era ela por estar ali com sintomas tão fugazes, disse ao senhor sentado a sua frente.
- Mas veja só que bobagem a minha. Tudo que antes sentia já não consigo nem ao menos descrever. Já não sinto o que acabo de lhe dizer. Já faz muito tempo.
E o doutor que inesperadamente mudou seu semblante exclamou.
-Pois isso sim é grave! 

domingo, 16 de junho de 2013

Carta para quem não pode ler

Minha palavra é dita de tão longe, mas que na distância em que nos encontramos o eco ressoe em seus pensamentos. Estou perto de você.
Não desista de lutar. Hoje você gostaria de estar aqui...existe um real motivo para você se rebelar, não contra seu corpo, mas contra essa realidade que não nos pertence. Acorde vá olhar a rua e verá que seu grito de socorro é dito de milhares de bocas.
Aonde quer que seu novo caminho te leve, fique leve e releve as pedras que te atrapalharão. A vida é bela, você vai ver que apesar de tudo você terá amigos e amores e quem quiser aprender você não precisará te prender.
Crie asas e voe longe, chegue perto do Sol e encontre o calor que a frieza dessa cidade não soube te dar, alcance a Lua e viva as paixões que você sempre buscou. Pouse e perceba que o seu chão é feito de gente que te quer bem. Meu bem, nunca diga que não pode mais...Crie e recrie a coragem que muitas vezes não sabemos que temos. Estou perto de você.
Seja o que você quiser ser e volte, porque ainda precisamos de gente a flor da pele, que sente desmedidamente e que mostra que a medida que temos não é a certa.
Não tenha medo. Pinte a sua história e deixe as manchas formem imagens de um tempo que não queremos mais. Estou perto de você....

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